• Eduardo Veloso

Saudade e propósito


Frequentemente tentamos dar sentido e categorizar ações. Imaginamos propósitos, fazendo-nos, instantaneamente, sentir saudade. Curioso pensar que a saudade é uma palavra única, embora todos a carreguemos no íntimo. Como é boa a sensação de ficar alheio ao tempo, deixando fluir o momento presente. A simplicidade da vida se torna o maior sentido que esta possa adquirir.

Pense brevemente sobre a saudade e os propósitos. Você sabe o que é a saudade? Ela é uma flor que desabrocha ao longo do processo de viver, pacificamente. Saudade dos que estão aqui, dos que já se foram e, sobretudo, dos que estão por vir. O devir é a saudade do não acontecido. Você pode questionar: seria ela um sentimento bom? Sim, pelo simples fato de estarmos em constante transformação. O construir é feito do partilhar... Partilhar saudades conjuntas. Saudades dos sorrisos singelos, eternamente gravados no âmago da alma. Viver, calmamente, apreciando a paz trazida por uma existência simples.

Evidentemente, cada um de nós traz no espírito as vocações desenvolvidas na experiência milenar de nossas almas. Como diz o filósofo Sêneca: "apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida". Os grandes feitos e propósitos são construídos através de uma vida sem julgamentos, compassiva, amorosa e sem ilusões. Nesse sentido, a multiplicidade das reencarnações nos ensina a


"suportar os atos de preterição e hostilidade, embaraços e desgostos, por onde passem, experimentando sublimes aspirações e frustrações amargosas, por intermédio da Lei venhamos a colher os reflexos de nossas próprias ações, implantados no ânimo alheio, retificando em nós mesmos o manancial da emoção e da ideia, para que nos ajustamos à corrente do bem, que parte de Deus e percorrer todo o Universo para voltar a Deus" (Pensamento e Vida, cap. 16, “Vocação”, p.82)


A verdadeira vida é a aqui descrita nessas cheias palavras, no puro ato de escrever, no toque sensível dado ao mundo por minha alma. Ela aceita a si mesma como algo sempre pleno - afinal, somos obras de Deus. Quero que todos sintam a existência desse meu templo interior, puro! Desejo que todo o amor despejado nessa inspiração acalente cada coração aflito de ansiedade! Nada é para sempre! Tudo passa! O Tudo ou o Todo é a eternidade percebida no momento presente. E essa eternidade constrói a saudade!


Eduardo Veloso é estudante e professor.


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